O projeto Combatendo a Violência contra a Mulher, da Univel, encerrou a última semana de ações do Agosto Lilás com cinco palestras realizadas em diferentes espaços de Cascavel. Foram dois encontros no Colégio Consolata, dois na Univel, voltados às funcionárias da instituição, e um em uma empresa privada.
As atividades levaram informação sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher, formas de identificar sinais de alerta, direitos e caminhos para buscar ajuda. A proposta é ampliar o acesso à informação e mostrar que o enfrentamento à violência não depende apenas de quem está diretamente envolvido em uma situação, mas também de quem está ao redor.
Para Caroline Buosi, fundadora e coordenadora do projeto Combatendo a Violência contra a Mulher, o Agosto Lilás representa um período importante de mobilização, mas não deve limitar a discussão ao mês de agosto. “É uma oportunidade de ampliar o diálogo, informar e fortalecer a rede de proteção”, afirma.
Segundo Caroline, levar as palestras para escolas, universidades, empresas, comunidades e instituições permite alcançar públicos diferentes e ajuda a romper o silêncio em torno da violência. Durante os encontros, o projeto procura despertar consciência e orientar as pessoas para que saibam reconhecer situações de violência e também como acolher e encaminhar alguém que precise de ajuda.
“Buscamos despertar consciência, empatia e atitude”, destaca a fundadora.
No Centro Universitário Univel, onde o projeto é desenvolvido, duas palestras foram realizadas com as funcionárias da instituição. Para Sabrina Denardi, gestora de Recursos Humanos da instituição, abrir esse espaço de conversa também contribui para a construção de um ambiente de trabalho mais atento às relações e às pessoas.
“Quando a gente abre espaço para conversar sobre um tema tão importante como a violência contra a mulher, a gente também demonstra que se preocupa com as pessoas, não apenas enquanto profissionais, mas enquanto seres humanos”, afirma Sabrina.
Na avaliação da gestora, a informação também pode ajudar colegas e pessoas próximas a reconhecer situações que muitas vezes passam despercebidas. Ela explica que nem sempre quem presencia ou percebe sinais de violência sabe como abordar a situação ou orientar uma mulher que esteja precisando de apoio.
Sabrina também ressalta que a discussão sobre violência contra a mulher contribui para as relações dentro da própria instituição. Para ela, falar sobre o tema ajuda a desenvolver empatia e a evitar que determinadas situações sejam naturalizadas ou tratadas como um problema exclusivamente particular.
“A violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade, e cada um de nós pode ter um papel importante na prevenção e no acolhimento”, pontua.
O projeto Combatendo a Violência contra a Mulher completa, em 2026, dez anos de atuação na Univel. Criada em 2017, a iniciativa desenvolve ações de conscientização junto à comunidade e aborda temas como violência doméstica e familiar, direitos das mulheres, prevenção, rede de proteção e mecanismos previstos na Lei Maria da Penha. Em junho deste ano, o projeto recebeu o Selo Cevid/TJPR e conquistou o primeiro lugar no Paraná entre as iniciativas reconhecidas pelo Tribunal de Justiça do Paraná pelo trabalho de enfrentamento à violência contra a mulher.
Para Caroline, a trajetória do projeto reforça a importância de manter a discussão ativa durante todo o ano. A intenção é que a informação compartilhada nas palestras não fique restrita ao momento da atividade, mas possa ser levada para outras relações e situações do cotidiano.
“Violência contra a mulher não é problema privado, é uma responsabilidade de toda a sociedade”, afirma.
A mesma ideia é defendida por Sabrina, que vê o Agosto Lilás como um ponto de partida para conversas que precisam continuar. “O Agosto Lilás não deve ser apenas uma campanha de um mês. Ele é uma oportunidade de iniciar e fortalecer conversas que precisam continuar durante todo o ano.”
Em 2026, a mobilização do Agosto Lilás também marca os 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006. A legislação ampliou os mecanismos de proteção às mulheres e se tornou um dos principais marcos brasileiros no enfrentamento à violência doméstica e familiar.
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