Chegar a um país novo sem conseguir falar a língua da nação é, para muitos imigrantes, o primeiro e mais duro obstáculo de um recomeço. A comunicação limita o acesso a serviços, dificulta a busca por emprego, impede a compreensão de direitos e, muitas vezes, acentua o sentimento de isolamento. Entre a necessidade de sobreviver e o desejo de pertencer, aprender a língua torna-se uma porta que precisa ser aberta para que a vida possa, de fato, recomeçar.
Foi com esse pano de fundo de desafios e superações que a tarde de sábado (6) ganhou significado especial na Univel. A instituição realizou a entrega dos certificados do projeto Imigrantes: Razões para Acolher, celebrando a conclusão da formação por 293 imigrantes nesta edição. Mais do que um documento, o certificado simboliza o avanço de cada estudante em direção à autonomia, à integração e à reconstrução de suas trajetórias no Brasil.
No primeiro semestre, mais de 300 alunos participaram das atividades, com 277 presentes na avaliação final e 162 aprovados. A soma dos dois ciclos coloca o projeto entre as maiores iniciativas comunitárias de ensino de português e integração social da região.
Uma estrutura que acolhe e transforma
Nesta edição, o projeto contou com cinco turmas na Univel, duas no Colégio Auxiliadora e uma no Colégio Sagrada Família, distribuídas em diferentes horários para possibilitar a participação de pessoas com rotinas variadas.
O processo avaliativo foi composto por duas etapas, garantindo que diferentes perfis de estudantes pudessem demonstrar seus conhecimentos.
Prova escrita – os participantes foram avaliados em conteúdos essenciais para a comunicação cotidiana e a autonomia linguística, incluindo:
Vocabulário básico: saudações, profissões, numerais
Noções de gramática: concordância nominal e verbal
Interpretação dos gêneros notícia e texto informativo
Produção textual: escrita de autobiografia
Prova oral – destinada a estudantes com dificuldade na escrita, mas que já possuem boa desenvoltura na conversação em português. A avaliação ocorreu no formato de entrevista, incluindo leitura e compreensão de texto informativo.
Uma rede interdisciplinar de acolhimento
Um dos pilares do projeto é a participação voluntária de egressos e acadêmicos do curso de Pedagogia, que atuam como professores ao longo do semestre.
Além deles, outros cursos da Univel contribuíram com ações de cidadania e formação integral:
Direito – palestra sobre direitos dos imigrantes e direitos trabalhistas;
Odontologia – orientações sobre higiene bucal;
Enfermagem – entrevistas e orientações individuais sobre saúde da mulher;
Engenharia Civil – orientações sobre mercado de trabalho e elaboração de currículo.
O coordenador do curso e professor do projeto, Fábio Lúcio Zanella, destaca que a iniciativa nasce de um compromisso social profundo, pensado para oferecer suporte a quem já enfrenta tantas dificuldades ao deixar o próprio país. Ele explica que o objetivo é proporcionar acolhimento e auxiliar no processo de integração com a sociedade brasileira a partir da linguagem e da cultura. “É um projeto com perspectiva social, com o interesse de proporcionar um acolhimento aos imigrantes que já sofrem dificuldades por precisar deixar o país de origem e também ajudar no processo de integração com a nossa sociedade, ministrando aulas sobre linguagem e cultura brasileira”, destaca o docente.
Para 2026, a expectativa é de que o projeto retorne ainda mais robusto, ampliando o número de turmas e impactando um contingente ainda maior de imigrantes que buscam no aprendizado da língua uma oportunidade real de integração. A Univel trabalha na organização da próxima edição e, conforme previsto, as datas e o período de inscrições serão divulgados no primeiro semestre do ano, por meio dos canais oficiais de comunicação da instituição, permitindo que novos participantes se preparem para ingressar no programa.
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