O projeto “Combatendo a Violência contra a Mulher: Aspectos Jurídicos e Psicológicos”, desenvolvido pelo Centro Universitário Univel, recebeu o Selo Cevid/TJPR e conquistou o 1º lugar no Paraná entre iniciativas voltadas ao enfrentamento à violência contra a mulher. O reconhecimento foi concedido pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Paraná, em uma seleção que reuniu projetos públicos e privados de impacto social em todo o Estado.
Criado em 2017, o projeto atua de forma contínua na conscientização da comunidade sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher, com orientações sobre direitos, formas de prevenção, rede de proteção, denúncia e mecanismos legais previstos na Lei Maria da Penha. As atividades são realizadas por meio de palestras, oficinas, entrevistas, eventos sociais e ações informativas em escolas, empresas, instituições parceiras, associações de bairro e espaços comunitários.
Além da atuação direta com a população, a iniciativa também capacita jovens participantes de grêmios estudantis e lideranças escolares para que atuem como multiplicadores das informações em seus próprios ambientes. Quando são identificadas mulheres em situação de violência, o projeto pode realizar encaminhamentos para atendimento especializado no Núcleo de Prática Jurídica da Univel e na Clínica de Psicologia da instituição.
Para Caroline Buosi Velasco, coordenadora e fundadora do projeto, o reconhecimento estadual permite dimensionar a trajetória construída ao longo de 10 anos. Segundo ela, os números reunidos pelo projeto representam vidas alcançadas por meio das palestras, eventos, orientações e atendimentos realizados na instituição.
“Quando a gente contabiliza todos esses números, percebe quantas vidas a gente conseguiu realmente impactar. Muitas pessoas que receberam essa palestra, receberam informações em eventos ou pela televisão buscaram a nossa rede de atendimento aqui da Univel”, afirma.
Caroline também destaca que o projeto reforça o papel da docência para além da sala de aula, ao unir formação acadêmica e responsabilidade social. Para ela, estar à frente da iniciativa é uma forma de impactar tanto os estudantes quanto a comunidade externa, contribuindo para que o conhecimento produzido na universidade chegue a quem precisa.
“Quando uma pessoa escolhe ser professora ou estar à frente de um projeto como esse, o que a gente mais quer é impactar a vida dos nossos alunos, transformar a vida deles para que tenham mais conhecimento, mas também impactar a vida de tantas pessoas lá fora”, ressalta.
Ao longo de sua trajetória, o projeto já realizou mais de 120 palestras, participou de 32 eventos sociais, concedeu 18 entrevistas em rádios, TVs e podcasts e alcançou diretamente cerca de 80 mil pessoas. Também contabiliza aproximadamente 165 acadêmicos e 20 professores universitários envolvidos. No atendimento à comunidade, já foram registradas 67 ações jurídicas e encaminhamentos a delegacias especializadas, além de 94 casos de mulheres em situação de violência atendidas pela Clínica de Psicologia da Univel no período de 2025/2026.
A professora Lucimaira Cabreira, coordenadora de Psicologia da Univel e uma das coordenadoras do projeto, explica que um dos diferenciais reconhecidos na premiação foi a continuidade da iniciativa. Para ela, o fato de o projeto não ser uma ação pontual amplia seu alcance e fortalece o compromisso da instituição com uma pauta que envolve mulheres, famílias e toda a sociedade.
“Não é uma ação que se iniciou e parou, é uma ação contínua, e essa continuidade faz com que muitas pessoas sejam impactadas”, destaca.
Lucimaira também reforça que o projeto se diferencia por sua lógica interdisciplinar, envolvendo professores e estudantes de diferentes áreas. Segundo ela, essa característica amplia a formação dos acadêmicos, que passam a compreender o enfrentamento à violência contra a mulher como uma responsabilidade coletiva, independentemente do curso de origem.
“O projeto busca fazer com que a Univel cumpra sua missão de formar esses indivíduos não só na área de formação, e sim como cidadãos críticos, impactados para transformar a sociedade em que vivem”, explica.
Entre os estudantes, a participação no projeto também representa uma experiência de formação. Para Bruna Martins, acadêmica do 9º semestre de Direito e integrante da iniciativa há dois anos, o contato com a comunidade mostra que muitas informações discutidas dentro da universidade ainda precisam chegar de forma mais clara à população.
“Às vezes, o óbvio para a gente, como uma violência psicológica ou moral, não é óbvio para a sociedade. Quando a gente chega na comunidade, percebe a importância de levar esse conhecimento”, relata.
Bruna afirma que o prêmio representa o reconhecimento de um trabalho que exige preparo, estudo e responsabilidade dos acadêmicos envolvidos. Segundo ela, participar das palestras e ouvir relatos de pessoas que se identificam com o conteúdo reforça a importância da iniciativa para além do ambiente universitário.
Ao longo dos anos, o projeto também fortaleceu sua atuação por meio de parcerias com a Delegacia da Mulher de Cascavel, Prefeitura de Cascavel, Patrulha Maria da Penha, Polícia Civil, Juizado de Violência Doméstica do Fórum de Cascavel, secretarias de assistência social, instituições de ensino e associações de bairro, consolidando uma rede de trabalho voltada à informação, ao acolhimento e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
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